Preâmbulo
Em termos globais, a literatura da nossa época deixa, por assim dizer, muito a desejar. Ela oferece um espetáculo de miscelânea confusa, em parte trivial, em parte inefável. As livrarias acumulam de tudo nas suas prateleiras, pelo menos há já algum tempo – e as bibliotecas fazem o mesmo, de forma mais permanente. Para se libertarem de uma reputação de nostalgia poeirenta e para se sentirem “ligadas” à atualidade, os departamentos de literatura das universidades propõem qualquer coisa (segundo métodos psicanalíticos, semióticos, etc., ostentando o seu cientificismo). Quanto ao conteúdo destas produções, que qualifiquei de “confusas”, “triviais” e “inefáveis”, ele consiste numa espécie de mistura psicossociológica e sentimental, legitimada conscienciosamente pela adição, conforme os casos, de diversas doses de cor local, persuadindo-se assim de que se realiza um verdadeiro trabalho cultural.